25
jan
10

helter skelter

faltam 11 dias:


When I get to the bottom I go back to the top of the slide

Where I stop and turn and I go for a ride

Till I get to the bottom and I see you again

helter skelter – the beatles

30
nov
09

aids

imagina só viver numa época em que a AIDS era causada pela ‘degeneração moral’?

imagina, agora, viver na semana em que foram lançados os famosos coquetéis virais, que prolongaram a vida útil dos pacientes com HIV? em um dia, você vai morrer de aids em menos de um mês, no outro, não.

vi uma propaganda muito boa: é possível viver com a aids, com o preconceito, não.

 

só fico pensando que essas coisas às vezes me fazem continuar andando quando vejo o sol nascer de manhã indo para o anglo, ou na véspera das provas.

 

 

27
nov
09

será que vai chover?

Ohayô/Bom dia (1959), Yasujiro Ozu.

o diálogo transcende o sentido trivial de seu próprio significado ao se adequar as normas e padrões estéticos da civilidade. por hábito adquirido, embrulhamos para presente a comunicação que acaba perdendo muitas vezes a sua função básica de materializar os pensamentos e as sensações em signos. claro que isto só ocorre quando ambos conhecem estes signos. zizek coloca que onde o portador da representação (faltosa) falhar em intervir, nenhum objeto pode ser elevado à dignidade de coisa e daí não se concretiza o processo de comunicação. e é isto que ocorre na nossa sociedade. não se pode mais falar da maneira mais inteligível ou não se falar nada quando as palavras não cabem.

as faltas na linguagem aqui são construtivas, não há necessidade de mais. nenhum outro diálogo caberia melhor ou pior porque ele é continuaria a ser mera formalidade, vazio de significado perante o que realmente gostaria que fosse dito. e de fato nem precisa ser dito verbalmente, porque o mesmo já é traduzido instantaneamente.

crédito das imagens para o tio vania: http://tio-vania.blogspot.com/

24
nov
09

fronteiras – ici et alleurs (1976)

ocidente e oriente, OTAN e união européia, pacífico e atlântico, sindicalismo e anarquismo, fábrica e trabalhador, escritório e casa, israel e palestina, china e tibet, índia e paquistão, taleban e estados unidos, bush e obama, petróleo e álcool, imagem e movimento, teatro e cinema, digital e analógico, homem e mulher, ongs e Estado, socialismo e capitalismo.

estados unidos e inglaterra, portugal e espanha, roma e grécia. século XX e século XXI, computador e celular, homossexual e heterossexual. medicina oriental e medicina ocidental, Ruanda e Alemanha, judeu e árabe, brasileiro e não-brasileiro, homem e macaco, homem e computador, deus e homem.

marte e terra, sol e estrela, Clarice Lispector e Simone de Beauvoir, médico e monstro, pena capital e assassinato, suicídio e terrorismo, terrorismo e guerra, guerrilha e exército, favela e asfalto, morro e bairro, centro e periferia. rico e pobre, fome e doença, desgraça e tragédia, sinônimos e antônimos, verbo e sujeito, inglês e português. português do brasil e português de Portugal.

homem e menino, ficar e namorar, amor e paixão. amor e temor. bater e acariciar. tempo e espaço, massa e volume, física e química. muito pequeno e menor ainda. muito grande e maior ainda.

o século XX nos deixou em um mato sem cachorro nem gato.

02
nov
09

queremos aula

precisávamos organizar uma mobilização pela reforma do sistema educacional.

deveríamos sair na rua gritando: aula, queremos aula. aula…

pelo amor de deus, aula.

 

faltam aulas neste mundo.

02
nov
09

on priorities

An interviewer once asked Jean Cocteau, “If your home were on fire and you could save only one thing from it, what would it be?”

Cocteau replied, “I would save the fire!”

02
nov
09

soyons réalistes, demandons l’impossible [paris, Mai' 1968]

veja mais cartazes do atelier populaire de paris: the world of kane

30
out
09

toda a vida não vive

A persistência instintiva da vida através da aparência da inteligência é para mim uma das contemplações mais íntimas e mais constantes. O disfarce irreal da consciência serve somente para me destacar aquela inconsciência que não disfarça.

Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais.Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas idéias, os seus sentimentos, os seus atos, são todos inconscientes – não porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.

Vislumbres de ter a ilusão – tanto, e não mais, tem o maior dos homens.

Sigo, num pensamento de divagação, a história vulgar das vidas vulgares. Vejo como em tudo são servos do temperamento subconsciente, das circunstâncias externas alheias, dos impulsos de convívio e desconvívio que nele, por ele e com ele se chocam como pouca coisa.

Quantas vezes os tenho ouvido dizer a mesma frase que simboliza todo o absurdo, todo o nada, toda a insciência falada das suas vidas. É aquela frase que usam de qualquer prazer material: “é o que a gente leva desta vida”… Leva onde? leva para onde? leva para quê? Seria triste despertá-los da sombra com uma pergunta como esta… Fala assim um materialista, porque todo o homem que fala assim é, ainda que subconscientemente, materialista. O que é que ele pensa levar da vida, e de que maneira? Para onde leva as costeletas de porco e o vinho tinto e a rapariga casual? Para que céu em que não crê? Para que terra para onde não leva senão a podridão que toda a sua vida foi de latente? Não conheço frase mais trágica nem mais plenamente reveladora da humanidade humana. Assim diriam as plantas se soubessem conhecer que gozam do sol. Assim diriam dos seus prazeres sonâmbulos os bichos inferiores ao homem na expressão de si mesmos. E, quem sabe, eu que falo, se, ao escrever estas palavras numa vaga impressão de que poderão durar, não acho também que a memória de as ter escrito é o que eu “levo desta vida”. E, como o inútil cadáver do vulgar à terra comum, baixa ao esquecimento comum o cadáver igualmente inútil da minha prosa feita a atender. As costeletas de porco, o vinho, a rapariga do outro? para que troço eu deles?

Irmãos na comum insciência, modos diferentes do mesmo sangue, formas diversas da mesma herança – qual de nós poderá renegar o outro?

Renega-se a mulher mas não a mãe, não o pai, não o irmão.

Livro do desassossego – Pessoa

 

17
out
09

ryan mcginley

16
out
09

estou muito cansada de ver e ser vista.




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